Analistas prevêem aumento do fluxo de comércio e investimentos entre o Brasil e países árabes

São Paulo – Os fluxos de comércio e investimentos entre o Brasil e os países árabes ainda têm potencial para crescer muito, apesar do forte avanço já observado nos últimos anos e do fraco desempenho atual da economia internacional. Esta é uma das conclusões dos palestrantes do Fórum Econômico Brasil-Países Árabes, que ocorreu nesta quarta-feira (05) no hotel Tivoli Mofarrej, em São Paulo. A conferência é organizada pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira.

Sérgio Tomisaki/ANBA

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Sallum defende explorar complementariedades econômicas

“O mundo árabe, além de ser um mercado consumidor com mais de 380 milhões de pessoas, é a melhor porta de entrada para a África, Ásia e Europa mediterrânea”, disse o presidente da Câmara Árabe, Marcelo Sallum, na abertura do evento. “O Brasil tem condições de ser o principal parceiro da região e uma plataforma para atingir os demais países da América do Sul”, acrescentou.

Para ele, brasileiros e árabes precisam aproveitar as complementariedades de suas economias, além de diversificar a pauta de comércio. “Podemos e devemos nos beneficiar destas complementariedades”, destacou.

Sallum lembrou que a corrente comercial do Brasil com os países árabes somou US$ 19,2 bilhões em 2015 e que em quinze anos o total cresceu mais de 200%. “Esta evolução não aconteceu por acaso, foi fruto de muito trabalho”, disse o executivo, ressaltando as diversas ações de relacionamento, inteligência e promoção comercial desenvolvidas pela Câmara Árabe. “Aprendemos e propagamos que as relações comerciais precisam ser recorrentes e nos dois sentidos”, declarou.

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Alzeben: comunidade árabe pode influenciar aumento dos negócios

Na avaliação do decano do Conselho dos Embaixadores Árabes no Brasil, Ibrahim Alzeben, a realização do fórum mostra “a vontade do Brasil em desenvolver a cooperação com o mundo árabe”. “Há condições de melhorar esta cooperação”, afirmou o diplomata, que é também embaixador da Palestina.

Alzeben destacou que a imensa comunidade de brasileiros de origem árabe pode auxiliar neste sentido. “Esperamos que a colônia árabe participe da construção de pontes entre o Brasil e o mundo árabe”, disse.

Ele ressaltou, porém, que os empresários brasileiros não podem ver a região árabe apenas como um depósito de capitais à disposição. “Não temos um armazém de dinheiro que não sabemos como usar”, declarou. Segundo o diplomata, os empresários árabes prestam atenção aos detalhes e buscam projetos bem estruturados que ofereçam benefícios para ambos os lados.

Conjuntura

Após a abertura, o embaixador Osmar Chohfi, vice-presidente de Relações Internacionais da Câmara Árabe, apresentou um painel sobre economia mundial, que teve como palestrantes a vice-ministra dos Investimentos do Egito, Mona Ahmed Zobaa, e a economista chefe da XP Investimentos, Zeina Latif.

Chohfi deu um panorama do cenário global, destacando estudos publicados recentemente pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Organização Mundial do Comércio (OMC) e Banco Mundial. Ele ressaltou, por exemplo, que a economia mundial deverá avançar menos em 2016 do que o anteriormente previsto e que desde 2012 o comércio cresce a uma taxa média anual que é a metade da registrada em anos anteriores, mas que em 2017 é esperada uma aceleração do Produto Interno Bruto (PIB) global influenciada principalmente por países emergentes e em desenvolvimento.

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Latif entre Zobaa (esq.) e Chohfi: ainda não há sinais de recuperação do País

Sobre o Brasil, Latif disse que há uma melhora nos índices de confiança dos empresários e consumidores, mas isso diz respeito mais às expectativas futuras do que a uma recuperação de fato da economia, que está em recessão. “Não vemos ainda sinais de recuperação”, afirmou.

Ela, no entanto, vê um cenário futuro positivo com a possibilidade de aprovação de medidas econômicas apresentadas pelo governo no Congresso Nacional. Para a economista, a prioridade absoluta é o ajuste fiscal, principalmente a proposta de emenda constitucional que fixa teto de gastos estatais e a reforma da Previdência.

Já a vice-ministra egípcia falou sobre oportunidades de investimentos em seus país em áreas como as de logística, indústria, agricultura e energia, inclusive fontes renováveis, especialmente no entorno do Canal de Suez. Ela disse também que foram feitas descobertas “enormes” de gás natural em águas territoriais egípcias no Mediterrâneo e no Deserto Ocidental, que podem “resolver muitos problemas de energia” do Egito.

Logística

Em seguida, o diretor-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, mediou um debate sobre logística e transporte que contou com as participações do gerente de cargas da Emirates SkyCargo, divisão da Emirates Airline, Dener Souza, e do diretor de Trade & Marketing da companhia de navegação Maersk, João Momesso.

Antes, Alaby comentou que ouviu de um diplomata argentino que o acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Egito pode ser ratificado até o final de novembro pelo Parlamento da nação vizinha. A Argentina é o único país do bloco sul-americano que ainda não ratificou o acordo assinado em 2010.

Na seara dos transportes, o executivo defendeu a busca de soluções para reduzir o tempo e o custo do frete, que entre o Brasil e o mundo árabe leva 49,5 dias em média.

Momesso ressaltou que sua empresa vem fazendo esforços neste sentido, pois com o baixo crescimento do comércio mundial, segundo ele, no último trimestre todos os 20 maiores armadores do mundo relataram prejuízos. Para viabilizar linhas diretas e oferecer tarifas mais em conta, porém, o volume de mercadorias embarcadas precisa ganhar escala.

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Momesso (esq.), Alaby e Souza (dir.): linha direta ajudou a ampliar comércio

“O Brasil é uma fonte muito importante de alimentos para o mundo árabe e provavelmente continuará a ser”, destacou Momesso. Para eliminar ou reduzir o número de transbordos, porém, o navio precisa ir e voltar cheio, o que não ocorre. No caso de contêineres, por exemplo, o volume embarcado pelo Brasil ao mundo árabe é muito maior do que na mão contrária.

Como países do Oriente Médio e Norte da África produzem fertilizantes, uma opção seria encher os contêineres com estes insumos na viagem de volta, algo que a companhia faz em rotas para a Rússia e já testou em linhas para o Marrocos.

Souza, por sua vez, informou que a Emirates planeja dobrar o volume de carga transportada do Brasil até 2020, com base no total movimentado em 2014, que foi de 2,3 milhões de toneladas. Ele destacou que a empresa transporta muitos ovos férteis (para incubação), flores frescas, frutas, autopeças e produtos farmacêuticos.

“Só pelo o fato de existir a via direta, houve aumento do comércio”, observou Souza. “Havia demanda, mas não havia o serviço [antes do início das operações da Emirates no Brasil]”, acrescentou.

Alaby explicou ainda o processo online criado pela Câmara Árabe que reduz o tempo e o custo da certificação de origem. O sistema deve ser implementado ainda este ano nas exportações do Brasil ao Egito. Para 2017, está previsto o início do uso da ferramenta nas vendas para Arábia Saudita e Jordânia.

Fonte: ANBA

 

 

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